quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Carece não!
Essa quem me contou foi o Dominguinhos, nosso garçon-mor no TJRO.
Lá em Xapuri no Acre iam, numa estrada empoeirada e na boleia de uma caminhonete, o Padre José e o Lascanheta – um cascateiro de mão cheia- quando o Padre José vira-se e diz:
- Olha lá uma agulha Lascanheta.
Ato contínuo o beato lhe responde:
-Carece de pegar não Padre José; tá com o fundo quebrado!
Garçon !
Essa é mais uma do Dominguinhos-nosso garçon -mor do TJRO.
- Garçon, tem uma mosca no meu prato!
- Isto é desenho do prato,doutor!
- Mas,tá se mexendo.
- É que é desenho animado em 3 D!
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
A Igrejinha
Da igreja em si mesma eu não lembro muito bem, porque se entrei lá cinco vezes foi muito. Naquele tempo nós não tinhamos nenhuma religião a professar e se fôssemos perguntados a resposta era imediata: - Sou católico não praticante. Saída rápida para não dizer que era um à toa que nem se preocupava ao menos de ir aos domingos na paróquia que ficava lá no alto do morro, bem no meião mesmo e com saída pra todo lugar: Buraco Quente, Quebra Braço, Quadra, Fundação, Associação. Terreirão, Brizolão (que não era conhecido ainda por esse nome , mas por Hotel Fantasma), enfim miolão da Comunidade.
As lembranças são dos muros já meio quebrados de tanto a gurizada pular em galera e ir soltando as pontas dos tijolos maciços utilizados para cercar a área.
Falando em área, dentro, no pátio , embaixo da Caixa d"água, que pra nós era enorme, fazíamos os nossos rachões inesquecíveis. Valiam qualquer coisa: desde ingresso pros bailes a Garrafas de Coca Cola (disputada a tapa, pois era raridade alguém conseguir uma). A birosca da D. Carmem ficava em um dos becos de passagem e a do Manoel num outro: eram os points de zoação depois dos jogos. Lembrei que uma vez quando estava jogando, fui dar um chute e o meu kichute, pra lá de velho, rasgou e no embalo peguei uma pedra do piso. A tampa do dedo foi pro vinagre na hora e pra tentar disfarçar a peia que seria quando chegasse em casa fomos direto pra praia (pra quem não está acostumado, a água salgada do mar é um santo remédio pra limpar feridas).
Queria era ver se toda vez quando havia rachão não saia um com o dedo ferido ou ralado em alguma parte; mas que era bom isso era. Eu ia pouco pra lá, meus primos eram mais assíduos por terem uma melhor ginga e flexibilidade maior do que a minha perna de pau, ou melhor , perna de garça (comprida e fina). O Pedro Paulo e o Chico faziam a festa na rapeize e se saísse briga logo a turma do "Deixa Disso" entrava em ação, diga-se treisoitão funcionando pra cima primeiro e apontado pro próximo engraçadinho metido a Bruce Lee.
Tempo bom em que ver o Pingo jogar era uma maravilha, parecia um maestro de tão sutil que tocava na bola; dois toques e o outro tava na cara do gol. Pena que ele se foi vencido pela branquinha e pelos rabos-de-galo da vida.
Minha última visita antes da mudança foi depois de uma apresentação no Brizolão e fui levar um material pra lá para a catequese dos pequenos. O portão estava aberto e entrei já com ares de despedida. Lembrei que apesar de não ser o meu local preferido, ali era a área de lazer de muita gente e a válvula de escape de muito estressado, palco de várias guerras de nervos, algumas desilusões amorosas, muitas quermeses e o principal: Referência de todos.
Carta aberta a uma filha confusa
Filha,
No
momento em que você estiver lendo esta carta, provavelmente eu não
estarei ao seu lado. Chorei muito porque sei que o melhor para a sua
vida é estar na presença de DEUS e com sua família. Estar debaixo
de uma maldição não é nem de longe o que um pai quer para os seus
filhos. Você já é maior, responde por seus atos diante da justiça
dos homens, mas diante da justiça de DEUS a responsabilidade é
minha até você ter uma aliança aos pés dEle com aquele que o
Senhor te colocar para ser o sacerdote da sua casa.
Nesta
hora de aflição, choro e tristeza, tudo o que eu não queria que
você passasse pelo que está acontecendo e não é fácil. Você é jovem e
tem uma vida inteira pela frente e não tinha porque passar de novo
pelos mesmos problemas e sufocos que eu e sua mãe passamos, muito
menos dizer para que eu não me metesse na sua vida e coisas do gênero.
A
Bíblia diz que o filho pródigo gastou toda a fortuna que tinha
dissolutamente, ou seja, farreou tudo o que o dinheiro que tinha
podia lhe dar e quando acabou procurou os “amigos”, eles lhe
viraram as costas, foram embora e ele sem ter nada para comer foi
tentar a sorte numa fazenda dando de comer aos porcos e nem assim
conseguia comer e ele desejou comer aquilo que era a sobra de tudo. A
sua humilhação foi tanta que ele desejou ser um humilde empregado
do pai do que ser um bom empregado do mundo e comer resto de comida.
Filha,
eu te amo e vou continuar orando por você para que DEUS toque no seu
coração e você sinta que a sua família e seus verdadeiros amigos
sofrem junto contigo de coração partido. Sei que a vida é feita de
escolhas e a sua não foi,com certeza,a certa, mas foi você
quem decidiu.
Seus pais estarão sempre ao seu lado para te apoiar nas decisões certas, tentar te mostrar , como agora, quando você estiver errada e te levantar quando você tropeçar.
Lembre-se: coração de mãe não diferencia filhos, coração de pai quer sempre protegê-los e está sempre preocupado com cada um deles, mas é limitado e pode falhar, entretanto o coração de DEUS é sempre pronto para receber aquele que se arrepende do seu erro e volta de onde errou, pede perdão por seus erros e segue em frente.
Força filha
Seus pais estarão sempre ao seu lado para te apoiar nas decisões certas, tentar te mostrar , como agora, quando você estiver errada e te levantar quando você tropeçar.
Lembre-se: coração de mãe não diferencia filhos, coração de pai quer sempre protegê-los e está sempre preocupado com cada um deles, mas é limitado e pode falhar, entretanto o coração de DEUS é sempre pronto para receber aquele que se arrepende do seu erro e volta de onde errou, pede perdão por seus erros e segue em frente.
Força filha
Nós
te amamos
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Choro de Criança
Aquele choro sentido
junto com um soluçar me incomodou sobremodo. O silêncio entre um e
outro só era quebrado pelo barulho esporádico dos carros que
passavam lá longe na rua principal do bairro. As crianças que
choravam eram da casa de uns vizinhos que nem sempre víamos em casa,
só sabíamos que eles moravam ali por causa justamente daqueles
pequeninos que de vez em quando ficavam na porta de sua casa chorando
baixinho e soluçando.
Naquele dia eu tinha
vindo de um plantão altamente cansativo e só pensava em descansar o
corpo e dormir quando reparei naquele som vindo do fundo da alma,
importunando a “minha paz”. Não sei porque cargas d'água fui
procurar saber o motivo do choro e perguntei sem muita convicção da
resposta, sendo surpreendido sobremodo: - a mamãe tá dodói e o
papai foi preso!
O baque foi forte e
fiquei sem ação por uns instantes antes de assimilar a resposta; -
como assim tá dodói?
- Ela tá lá na cama e
não pode fazer comida pra gente e a gente tá com fome.
Muito a contragosto
pedi licença e entrei na casa para ver a situação e quase voltei
para trás com o cheiro pútrido que vinha do quarto onde a mãe dos
pequenos jazia com uma gangrena na perna. O seu olhar de espanto em
me ver estava aliado a um pedido de ajuda seguido de um olhar para os
meninos encolhidos num canto da parede. Apresentei-me como o vizinho
da casa ao lado e perguntei o que poderia fazer para ajudar, já que
todo o cansaço e sono foram embora como num passe de mágica. Aquele
choro das crianças tinha definitivamente mexido comigo.
Fui até a padaria e
comprei leite, biscoitos e pão de imediato para a felicidade dos
estômagos vazios dos três. Depois de saciados naquele primeiro
momento, pedi a permissão para ajudar no que fosse preciso. Abri
todas as janelas da casa e fui até a cozinha para saber o que podia
fazer por eles, somente encontrando um pouco de farinha em uma lata
de leite em pó. Coração apertado, fui até o mercado e sem falar
absolutamente nada fiz a melhor compra que pude sem entretanto
conseguir conter as lágrimas que brotavam direto do coração. Os
meninos riam de tanta felicidade quando viram as guloseimas que
vieram e um deles cutucando o irmão disse: - o tio trouxe carne!
Responder o que nessa
hora? Só balancei a cabeça e fui pra cozinha fazer o almoço ou a
refeição quente que a muito eles não comiam. Guardei as compras
onde achava que dava e ao mesmo tempo que cozinhava ia limpando a
casa, começando pela cozinha e estendendo para o resto. Consegui
entrar em contato com a assistente social da região que demorou a
chegar e a providenciar a remoção daquela mulher para um hospital.
O almoço ficou pronto, fiz carne picadinha com batata cozida, arroz,
feijão e salada de alface com tomate. Que felicidade era aquela que
deparei, eles comeram rapidamente como se fosse a última vez e
ficaram de olho nas panelas entendendo eu que era uma preocupação
ficar de novo sem comida. Nada que um bom papo não resolvesse.
Depois dos trâmites, a
assistente social explicou que as crianças ficariam em um abrigo até
a recuperação da mãe, já que o pai estava em uma situação
crítica: fora preso roubando uma lata de leite no supermercado e por
estar desempregado não havia como pagar a fiança nem responder em
liberdade. Mais uma vez , alguns telefonemas depois e uma boa carga
de emoção para sensibilizar os amigos e conhecidos, vi um pai
atônito ser solto e voltar pra casa com uma renca de repórteres
ávidos por sua história.
Lembrei da minha cama e
só aí é que bateu o cansaço, fui cambaleando para casa parecendo
bêbado (de sono) e mal abri a porta do quarto só tive tempo de
jogar as roupas de lado, ligar o ar e desabar para um descanso
merecido, não sem antes agradecer a DEUS por ter a oportunidade de
ajudar alguém que precisava.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Caranguejobol no carnaval
O carnaval deste ano foi, no mínimo, diferente. Fui convidado a participar de um retiro espiritual que, diga-se de passagem, foi muito bom, mas não esperava tantas atividades como as que aconteceram.
Algumas situações de rotina como as de voltar para casa à noite para não deixar a casa sozinha, deixar o cachorro solto “por causa dos ladrões”, etc... foram peculiaridades não tão importantes.
O que chamou a atenção mesmo foi termos participado de duas partidas de caranguejobol (eram só 3 times) num campo de futebol enlameado e embaixo de uma garoa fininha.
Para quem não conhece esta atividade , como eu não conhecia, o caranguejobol é jogado com os participantes apoiados com as mãos e os pés no chão , não podendo deitar ou virar de bruços, mas sim de costas para o solo. Dá pra imaginar a situação? Para compensar o ridículo, os goleiros podem ficar em pé.
As nossas partidas foram hilárias, pois todos os acampados participaram, inclusive as crianças (tivemos uma de 10 anos em nosso time que marcou gols), os jovens sempre empolgados viram suas forças esvaírem-se rapidamente nesta atividade, mas as companheiras estimulavam a todos, os casados contavam com a torcida da família e não queriam decepcionar e nem deixar a “peteca” cair.
O dia seguinte poder-se-ia ver o estrago causado nos “ais” e “uis” em cada movimento que a assistência fazia ao ser estimulada pelo pregador a levantar as mãos, bater palmas ou dançar. Isto só vendo!
sexta-feira, 11 de maio de 2012
FORÇA
Força para vencer
Os obstáculos que surgem
Força para vencer
Os ataques na mente
Força para vencer
As maldades do mundo
Força para vencer
As desigualdades sociais
Força para vencer
As armadilhas da convivência
Força para vencer
As desistências momentâneas
Força para vencer
As saudades dos queridos
Força para vencer
O amor escondido
Força para vencer
O olhar furtivo
Força para vencer
Porque:
O desistente nunca vence, mas o vencedor nunca desiste
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