quarta-feira, 22 de agosto de 2012
A Igrejinha
Da igreja em si mesma eu não lembro muito bem, porque se entrei lá cinco vezes foi muito. Naquele tempo nós não tinhamos nenhuma religião a professar e se fôssemos perguntados a resposta era imediata: - Sou católico não praticante. Saída rápida para não dizer que era um à toa que nem se preocupava ao menos de ir aos domingos na paróquia que ficava lá no alto do morro, bem no meião mesmo e com saída pra todo lugar: Buraco Quente, Quebra Braço, Quadra, Fundação, Associação. Terreirão, Brizolão (que não era conhecido ainda por esse nome , mas por Hotel Fantasma), enfim miolão da Comunidade.
As lembranças são dos muros já meio quebrados de tanto a gurizada pular em galera e ir soltando as pontas dos tijolos maciços utilizados para cercar a área.
Falando em área, dentro, no pátio , embaixo da Caixa d"água, que pra nós era enorme, fazíamos os nossos rachões inesquecíveis. Valiam qualquer coisa: desde ingresso pros bailes a Garrafas de Coca Cola (disputada a tapa, pois era raridade alguém conseguir uma). A birosca da D. Carmem ficava em um dos becos de passagem e a do Manoel num outro: eram os points de zoação depois dos jogos. Lembrei que uma vez quando estava jogando, fui dar um chute e o meu kichute, pra lá de velho, rasgou e no embalo peguei uma pedra do piso. A tampa do dedo foi pro vinagre na hora e pra tentar disfarçar a peia que seria quando chegasse em casa fomos direto pra praia (pra quem não está acostumado, a água salgada do mar é um santo remédio pra limpar feridas).
Queria era ver se toda vez quando havia rachão não saia um com o dedo ferido ou ralado em alguma parte; mas que era bom isso era. Eu ia pouco pra lá, meus primos eram mais assíduos por terem uma melhor ginga e flexibilidade maior do que a minha perna de pau, ou melhor , perna de garça (comprida e fina). O Pedro Paulo e o Chico faziam a festa na rapeize e se saísse briga logo a turma do "Deixa Disso" entrava em ação, diga-se treisoitão funcionando pra cima primeiro e apontado pro próximo engraçadinho metido a Bruce Lee.
Tempo bom em que ver o Pingo jogar era uma maravilha, parecia um maestro de tão sutil que tocava na bola; dois toques e o outro tava na cara do gol. Pena que ele se foi vencido pela branquinha e pelos rabos-de-galo da vida.
Minha última visita antes da mudança foi depois de uma apresentação no Brizolão e fui levar um material pra lá para a catequese dos pequenos. O portão estava aberto e entrei já com ares de despedida. Lembrei que apesar de não ser o meu local preferido, ali era a área de lazer de muita gente e a válvula de escape de muito estressado, palco de várias guerras de nervos, algumas desilusões amorosas, muitas quermeses e o principal: Referência de todos.
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